terça-feira, 8 de maio de 2018

Finalmente, me pertenço.



O fotógrafo italiano Alessio Albi resolveu criar um ensaio totalmente inovador em que a beleza e a sensualidade das mulheres são misturadas a elementos da natureza.



Quando somos crianças aprendemos que a princesa espera sempre pelo príncipe e entra em histórias complicadas por ele. A Barbie espera sempre pelo Ken. Aprendemos desde cedo que precisamos pertencer á alguém.
Na adolescência nos apaixonamos dez vezes por mês, e na mesma intensidade nos frustramos porque aprendemos que precisamos nos apegar e pertencer á alguém. Mas algo que não nos contam é que precisamos mesmo, de verdade, pertencer á nós mesmos. Eu só cheguei nesse ponto agora. Precisei de 20 anos para descobrir isso, e quando eu descobri foi a sensação mais incrível do mundo. Finalmente minha, me pertenço.

Pertencer, ser proprietário, ter o domínio. Vivemos em uma sociedade em que a maioria das pessoas acham que precisam do outro para ter felicidade, pertencimento e realização, mas é evidente o quão enganadas elas estão, é nítido, andam cada dia mais frustradas justamente por depositar no outro a função que só elas possuem. Quando eu descobri que eu me pertencia, a forma de conviver com as pessoas mudou, porque eu aprendi a conviver comigo, com a minha presença, com o meu conteúdo, com toda a bagagem que eu carrego aqui dentro. A ansiedade diminuiu, a confiança aumentou, a segurança e autoestima eu nem preciso falar, não é ? Eu tenho aprendido a ser absurdamente feliz quando estou sozinha, tenho aprendido a investir em mim, a me elogiar, a me notar, a me amar ainda mais intensamente. Tenho aprendido a me decifrar, a me sentir realizada simplesmente por quem eu tenho me tornado. Quanta felicidade eu sinto nos momentos que tenho só pra me curtir. Isso têm gerado frutos em todas as áreas da minha vida, porque eu entendi algo que muita gente morreu sem entender: se permitir ser, se pertencer, ser proprietário, ser protagonista da sua vida.
Nem sempre foi assim, na minha adolescência eu acreditava que sempre precisaria de alguém para ser feliz e que esse era o "objetivo da vida". Esse tipo de pensamento mostra que ainda não nos encontramos com a pessoa que a gente realmente precisa - o nosso "eu". 
Estar bem com quem você é, acreditar em você, ter confiança e segurança, ter um relacionamento verdadeiramente bom consigo é uma escolha diária, é uma decisão, e, na boa? Isso deveria ser ensinado na pré escola, a gente precisa estar bem com a nossa essência, a gente precisa saber se amar, ter autoresponsabilidade por quem somos, se não soubermos fazer isso, nenhuma outra coisa vai dar certo, traumas vão se acumular, não vamos saber superar os desafios e muito menos realizar qualquer coisa.

Passei por momentos de muita crise, na fase dos 16/17 onde a gente passa a precisar fazer escolhas adultas sem ser. As maiores respostas estavam dentro de mim, mas eu procurava em outros lugares. Me deparei com uma infinidade de caminhos distintos, rumos totalmente novos e diferentes, precisei fazer escolhas, e ainda preciso, todos os dias, graças a Deus. Mas para fazê-las precisei me conhecer, me ouvir, escutar o que a minha alma dizia. Precisei de autoconhecimento, senso de responsabilidade própria. Precisei me abraçar e dar atenção ao ao meu "eu", e o que eu descobri é que fica muito mais fácil qualquer outra coisa na vida quando você se conhece e reconhece, quando você descobre a sua identidade. Damos atenção para tantas coisas e pessoas, o que é ótimo, mas meio hipócrita se antes não dermos atenção á nós mesmos. Preciso citar aqui algumas coisas que ajudaram a ampliar os meus horizontes e me olhar de forma diferente: Deus, terapia. Se eu pudesse recomendar apenas duas coisas para mudar a vida de qualquer pessoa: Encontre o ponto central da sua fé, e faça terapia, análise ou algo assim. Invista em autoconhecimento, em desenvolvimento pessoal, você vai precisar disso todos os dias por toda a sua vida.

Se hoje eu acredito tanto nos meus sonhos ao ponto deles se tornarem verdade, se hoje eu deposito tanto amor em tudo o que eu faço e tanta fé em cada objetivo, se hoje eu acordo cedo felicíssima numa segunda de manhã, se hoje eu me realizo em cada coisa que eu escolhi fazer, se hoje eu me olho no espelho e sorrio pelo reflexo que vejo (com todos os detalhes e imperfeiçoes), se hoje eu amo passar tempo sozinha, me sinto segura comigo e confiante, se hoje eu ando pelos caminhos que escolhi e transbordo de gratidão por cada escolha que tenho feito, é porque eu descobri que me pertenço, é porque, primeiro, eu me realizei com quem eu sou, me encontrei e me percebi, eu assumi a posição de protagonista da minha vida, eu assinei um termo de responsabilidade comigo, eu entrei em um relacionamento sério com quem eu sou. Eu prossigo nessa jornada de desenvolvimento, de autoconhecimento todos os dias, mas me orgulho do caminho que já percorri. Isso tudo fez tanta diferença na minha forma de viver, tornou tudo tão leve, eu precisava compartilhar ...

Se descubra como a pessoa que você é, faça por você o que você sempre esperou que os outros fizessem. Se conheça, se arrume pra você, se cuide, se olhe, se aprecie, se ame, se elogie, aposte nos seus sonhos, acredite em você, invista em você, se pertença, se encontre, se preencha, e a sua forma de viver, de lidar com qualquer coisa ou pessoa será incrivelmente melhor, e você jamais vai voltar a aceitar migalhas ou coisas pela metade, porque você vai compreender a profundidade do seu valor, a sua essência, o tamanho de quem você é, e isso vai te impedir de aceitar coisa pouca. 
Não terceirize ao outro a função de notar e reconhecer algo em você que você precisa enxergar primeiro. Não terceirize ao outro a função de te fazer feliz, essa função é única e exclusivamente sua. Acho que isso resume esse texto todo: A função de te fazer feliz é sua. Se pertença, floresça ! <3


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