sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Maldade e liberdade

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Queria eu escrever sobre a maldade friamente, cientificamente, sem conhecê-la.
Ainda que possamos saber as raízes e os porquês de tantas coisas ruins, isso não diminui a dor e o impacto que elas causam.
Não sou a pessoa mais apta a falar sobre a maldade. Escrevendo sobre isso percebi o quão abençoada eu sou. Olhando as noticias, os jornais, olhando para fora da nossa bolha, eu tento me colocar no lugar de cada vitima de cada notícia ruim, mas jamais saberemos as dores dos outros.
Quero explicar alguns porquês, mas deixo claro que isso não ameniza o problema, apenas nos direciona para que não sejamos parte desse problema e caos.

Bem e mal. Liberdade. Livre arbítrio. Consciência. Escolha. Opção. Identidade. Caráter.
A maldade envolve vários aspectos, mas de todos, hoje vou falar sobre um dos principais gatilhos, a liberdade, no ponto de vista cristão.

Começando do princípio
Deus criou todas as coisas dotadas de livre arbítrio. Se alguém é livre para ser bom, é livre para ser mau.
Por que Deus não impede a maldade?
A liberdade, embora possibilite o mal, e a única coisa que possibilita o bem, o amor, a alegria, e a paz. Um mundo de robôs, na minha opinião, não valeria a pena ser criado. Ele nos permite o conhecimento, a racionalidade, o senso de bem e mal, mas nos deixa livres para optar. Acredito que quando argumentamos contra ele, estamos questionando o próprio poder que nos permite questionar.
Não temos resposta sobre tudo. (Ainda bem !), mas existe uma linha de raciocínio, apresentada por C. S. Lewis, simples e que faz muito sentido:
Se temos um ego, temos a opção de nos colocar em primeiro lugar, de querer ser o centro, der ser o nosso próprio deus. Lá atrás, esse foi o pecado de Satanás, quem era um anjo se auto idolatrou, se considerando melhor do que o próprio Deus que o criou.
A maldade surge do egocentrismo, do antropocentrismo, da ideia de se estruturar por si mesmo. Suas vontades acima de qualquer coisa. Leis próprias. O homem buscando inventar uma felicidade fora da única fonte da felicidade. O homem tentando buscar coisas, que no principio eram boas, mas foram POR NÓS deturpadas e desfiguradas, o homem procurando por atalhos onde não existe uma estrada. O homem tentando saciar o seu ego inflado e chegar a qualquer lugar, a qualquer custo, na busca incessante por algo que só poderia ser curado e consequentemente saciado por Deus. Dessa tentativa desesperada, veio o pecado, o dinheiro, a pobreza, as classes, a escravidão, a ambição, a guerra, os impérios, a prostituição, a mentira, e qualquer coisa tão negativa quanto. Toda essa maldade que jorra é o homem tentando ser o seu próprio deus. Até mesmo diversas doenças e epidemias que existem hoje, o homem está por trás de cada uma, fazendo escolhas erradas e interferindo na vida de milhares de pessoas, e de próximas gerações.
Desde o começo, ainda no Éden, havia opção, havia uma liberdade que saia do trono do Deus, mais uma prova de amor intenso por nós, nos deixou livre para optarmos, pois Ele já havia colocado em nós o senso de certo e errado, nós sempre soubemos a resposta, mas diversas vezes optamos por não ouvi-lá. Como cada escolha trás consigo uma consequência, estamos vendo isso na prática, diariamente, ao nosso redor, nas nossas vidas, nos jornais, na TV, e em qualquer lugar.

Acredito que, se há alguém que olha com tristeza para tudo isso, é Deus. Deus que deu seu filho, parte de si, e Jesus levou sobre Ele tudo o que, hoje, temos levado novamente sobre nós, como se o preço não tivesse sido pago, como se estivéssemos querendo voltar a ter uma dívida e uma vida momentânea.
A felicidade, o bem e a paz que Deus designou a nós é a dádiva eterna de sermos unidos a Ele, e uns aos outros livre e voluntariamente, em um êxtase de amor e prazer que não pode ser comparado com nenhum outro existente. Livre e voluntariamente. Sempre tivemos e temos em nossa frente o bem e o mal, e no fundo, todos sabemos onde cada um vai levar, cabe a nós a escolha.

Quando chega no coração do homem a ideia de fazer o que quiser independente de qualquer coisa, de ser o centro de tudo, de achar que o mundo gira em torno de si mesmo, é quando ele perde o senso de humanidade, de comunidade, quando ele se esquece que não vive só, e que as suas atitudes geram consequências externas, e impacto ao seu redor. Assim como um ato de amor, de generosidade, de bondade, gera uma corrente de coisas boas, muitas vezes um gesto de maldade também gera uma onda de coisas ruins, e é assim que surgem tantas vitimas, inocentes, que não escolheram a maldade, mas que tiveram sobre si a consequência do ato do outro, da guerra do outro, da irracionalidade do outro, do pecado do outro, da maldade do outro, vitimas que, sobre elas respigam com um impacto muito forte todas as escolhas erradas de alguns. Porém, mesmo que não seja aqui na Terra, haverá uma recompensa para cada ato, seja ela um ato bom, seja ele um ato ruim.

E onde eu quero chegar, basicamente, é em nós, em mim, em você. Muitas vezes estamos longes de grandes massacres, guerras e catástrofes, mas a todo instante ao nosso redor acontecem inúmeras coisas, no mundo físico e espiritual, e o que nós temos feito para melhorar a realidade a nossa volta? Essa é a questão. Não são com coisas grandes que vamos mudar algo, vamos mudar alguma coisa quando estivermos dispostos a fazer todos os dias pequenas modificações em nosso própria vida, em cada ato, palavra, intenção. Na forma como tratamos as pessoas que passam por nós, no que a nossa linguá fala, no que enche o nosso coração, no que fazemos ou deixamos de fazer, diariamente.

Todas as vezes que usamos nossa liberdade de forma errada, estamos sendo produtores de maldade, estamos colaborando de alguma forma com a onda de coisas ruins que acontecem lá fora.
Todas as vezes que temos a chance de fazer algo bom e não fazemos, estamos colaborando com a frieza do amor, sendo levados pela corrente, exitando em sair do nosso quadrado para abraçar outras vidas, que não são menos importantes do que a nossa.
Não vamos mudar nada enquanto não mudarmos as nossa atitudes comuns.
Não vamos mudar nada enquanto estivermos sempre pensando no amanhã e vivendo o hoje automaticamente.
Não vamos mudar nada enquanto estivermos focados em pequenos conflitos bobos nossos.
Não vamos mudar nada enquanto só estivermos olhando para a nossa própria vida e para as coisas materiais.
Não vamos mudar nada enquanto estivermos distraídos.
Não vai adiantar levantarmos hashtags pela Síria, pelo Rio, ou por qualquer conflito maior se estivermos produzindo coisas ruins, palavras ruins, atos ruins ou se definitivamente não estivermos fazendo nada para melhorar alguma coisa. Estaremos apenas sendo hipócritas.
Não vamos mudar nada enquanto não tivermos o senso de que TODAS as nossas atitudes e TODA a nossa falta de atitude gera um impacto no mundo, em outras vidas, não apenas em nós.
Precisamos parar de regar coisas que não deveriam ser sequer plantadas.
Precisamos parar de levar sobre nós coisas que Jesus já levou sobre Ele.
A frase que a mudança começa em nós é clichê, mas é totalmente real.
O bem só se propaga se começar em alguém, e esse alguém somos cada um de nós, esse alguém sou e, esse alguém é você. Nossa liberdade, nossas escolhas, mas as consequências não são apenas nossas.

Que seja gerado em nós um clamor e um amor por todas as pessoas e lugares onde a maldade tem feito morada. Que seja gerado em nós desconforto, inconformidade, que a gente não aceite menos do que o bem, o amor, a paz e o certo. Que a gente não cultive sentimentos e atitudes que não procedem do coração de Deus. E que diariamente possamos ser lembrados de que as coisas começam em nós, nas nossas intenções, nossos pensamentos, nossos sentimentos, nossas palavras, nossa liberdade, nossas atitudes.
Eu não sei você, mas eu preciso mudar, constantemente, todos os dias.
E você? Qual mudança você tem procrastinado ? Quais tem sido suas escolhas?





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