Amanda Gabrielle

Para cada dose de intensidade, duas de coragem



Bem que eu gostaria, mas não tem como conter essa minha mania de ser intensa em tudo. 
Esses dias li em um livro que a intensidade as vezes é o mal da alma, e achei tão real ! A maioria das pessoas acham que é clichê ou bom ser intenso em tudo, mas nem sempre é. Algumas coisas na vida exigem calma, paciência, leveza, mas quem tem essa intensidade dentro de si tem aquela ansiedade, aquele "trem" no coração que acelera sem comando, e só vai. As vezes acerta a direção, as vezes machuca alguém, e as vezes quebra no meio. 
E me desculpa se você foi esse alguém atropelado pela minha intensidade, não era a minha intenção.

(É importante não usar "intensidade" como uma desculpa para atitudes ruins ou situações que precisam ser tratadas. Intensidade é uma característica, um tempero, uma diferença. Se algo te faz sofrer demais ou faz as pessoas sofrerem, cuida disso, tá?)

Eu sou aquela pessoa que chora com comercial de TV, que chora de alegria e de empatia quase sempre. 
Sou aquela pessoa que demora no banho, ou cantando de felicidade, ou chorando por algum motivo. Sou aquela pessoa que fica olhando as estrelas e perde a noção do tempo, de espaço, de vida terrena.
Todo mundo que me conhece percebe que as vezes me perco no "mundo da lua", que na verdade, é o meu mundo particular.
Sou aquela pessoa que, as vezes, discretamente, fecha os olhos num momento bom na tentativa de eternizar aquele momento em algum lugar dentro de mim.
Sou aquela pessoa que chora sonhando, e que sonha tanto acordada quanto dormindo. 
Sou aquela que eterniza pessoas em textos, em poemas, em lugares, em músicas, em alguma coisa.
Sou aquela que fica com dor de tanto dar risada, e ao mesmo tempo, aquela que as vezes adormece de tanto chorar. 
Sou aquela pessoa que sente tudo á flor da pele, que se apega rápido, que ama de graça, que aproveita e se encontra nas coisas mais simples. 

Essa intensidade doida já me fez cutucar feridas onde eu deveria apenas estancar o sangue.
Mas ao mesmo tempo, essa intensidade doida já me fez viver momentos incríveis de uma forma totalmente particular.
Essa intensidade doida, ao mesmo tempo que me deixa "na bad" total quando algo ruim acontece, e me faz prometer nunca mais ficar perto daquela situação, pessoa, ou sensação, é a mesma que me cura e depois me faz me jogar de novo quando surge uma nova oportunidade de sentir algo intensamente bom.
Essa intensidade doida, vem acompanhada de um "acreditar". Ainda que algo já tenha dado errado naquele sentido, uma, duas, ou 50 vezes, eu ouço uma voz que ecoa de dentro dizendo "Dá pra tentar mais uma vez, e se essa for A VEZ? Você vai perder por medo dos machucados?"
É preciso coragem para ser assumir intenso num mundo cada dia mais frio.
É preciso coragem para acreditar de novo, para levantar dos tombos e continuar simplesmente pelo desejo de chegar onde se quer chegar.
É preciso coragem para mudar a rota quando o coração te chama para outro lugar.
É preciso coragem para investir em sonhos que, talvez, muita gente não acredite. (E haja ousadia e intensidade para não se prender á opiniões alheias.)
É preciso coragem para acreditar em si, nesse poço de sentimentalismo com algumas doses esporádicas de razão.
Para cada dose de intensidade, duas de coragem.

Mas sabe o que é bom nisso tudo ? A certeza de estar vivendo á vida da forma mais viva possível.
A certeza de aproveitar cada situação, a certeza de que as coisas consideradas "normais" para os outros, como um pôr-do-sol, uma música, uma cena rotineira, ou um abraço, trazem emoção e são vividas de uma forma real e grande, e jamais vão passar despercebidas por nós.
A certeza de viver, compensa toda a bagunça que a intensidade traz na bagagem. E por falar em bagagem, as experiências que essa intensidade toda traz não precisam nem ser mencionadas.

Viver á flor da pele é como ser de vidro, as vezes corta, as vezes quebra. 
Só que se regenera. Sempre se regenera.

Coragem para quem é intenso, e que sorte de quem tem uma pessoa intensa na vida. 



Gratidão

Me questionaram "Como é que pode acordar feliz assim numa segunda-feira, e cedo?"
A resposta para essa pergunta é algo que têm tomado conta do meu coração de uma forma tão gostosa e libertadora, a gratidão.
Sei que talvez soe um tanto quanto clichê falar sobre gratidão, mas eu sinto que é algo que a gente fala tanto mas pratica tão pouco, e ela está transformando a minha rotina de uma forma que vale a pena correr o risco de entrar para o "clichê".

Eu não sei exatamente onde essa onda começou, não sei te dizer quando exatamente eu comecei a ser mais grata e, consequentemente, mais feliz, o que é eu sei é que não existe uma fórmula mágica, não é uma receita de bolo, nem algo que acontece do dia para a noite. Qualquer mudança interna que tenha um impacto absurdo e bom, é algo que é construído e exige uma manutenção diária. O mais legal de tudo, é que é possível pra todo mundo.
Acho que de tanto vermos notícias trágicas todos os dias, de tanto acesso que temos á tudo o que está acontecendo no mundo todo, se iniciou em nós todos uma vibe ruim, sabe? Um incentivo á reclamação, á insatisfação, á inércia, á impossibilidade. Mas as coisas boas continuam se propagando, continuam sendo (e talvez até mais) possíveis.
O que eu fiz foi usar esse bombardeio de notícias ruins para criar um parâmetro em mim. Todos sabemos quantas coisas ruins existem no mundo e podem acontecer, certo? Mas e as coisas incríveis que podem acontecer conosco? Em quais você está focado ? Pois é isso que vai determinar a sua vida, a sua rotina, e até mesmo os seus resultados, o seu destino, desde que você realmente queira.

"Gratidão é se desacostumar das coisas" Jout Jout
Eu passei a sentir uma gratidão incrível ao acordar todos os dias, acordo e penso "Caramba, eu tô viva !" Abro a janela, olho o sol, olho o céu, a aprecio de verdade, agradeço de verdade. Eu passei a me "desacostumar" com as coisas. A gente se acostuma demais com tudo, por isso achamos sempre que temos pouco, mas se você parar para listar o tanto de coisas que você possui, materiais e não materiais, você vai perceber o quão rico você é. Faça isso todos os dias ! Eu criei esse hábito, diariamente me sinto privilegiada (o que de fato sou, o que de fato somos, simplesmente por viver).

"A gratidão transforma o que temos em suficiente"
 Agradeço todas as manhãs por acordar, por ter tido uma cama para dormir, agradeço por ter um café da manhã, pelo alimento, pela roupa que me veste, pelo corpo que funciona, pelo ar que eu respiro, pelas oportunidades, por cada pessoa que me cerca, pelo amor, por qualquer coisa que seja tão boa e mereça gratidão.
Agradeço no almoço, agradeço no jantar, agradeço á cada começo, á cada final, a cada "deitar".
Aquela frase "Muita gente ora para ter a vida que você tem hoje" é real ! Ainda que você tenha dificuldades, você está muito melhor que muita gente por aí. Acredite, compreenda a dimensão disso tudo e agradeça !

"A gratidão nos impulsiona á ir ainda mais longe"
Quando começamos à agradecer por tudo o que acontece, quando realmente entendemos o quão abençoados somos e começamos de verdade à nos sentir gratos e abençoados, exatamente tudo muda. Nos tornamos seres humanos mais felizes, porque percebemos a beleza da vida nos detalhes, começamos a ter percepção e sensibilidade, nada que acontece de bom nos passa despercebido. Quando essa forma de ver a vida começa a se tornar prática e automática, a vida fica muito mais feliz e intensa.
Nos tornamos seres humanos mais empáticos, porque olhamos para as dificuldades dos outros, nos disponibilizamos mais para ajudar, para abraçar, para notar o outro.
Nos tornamos capazes. Ser grato pelo o que você tem e é não é sinônimo de estagnação, e não é para ser ! Na medida que percebo a vida e os valores, também percebo o quanto ainda existe, para conhecer, para aprender, para descobrir, para sentir, para olhar, para tornar real, para agradecer.
A gratidão torna o que tenho em suficiente, mas me abre o apetite para desbravar o mundo, me instiga a fome de conhecer o que existe além do horizonte, me desperta o desejo de conhecer, de aprender, me impulsiona, me faz sonhar e me empurra para ir além. Me faz sentir liberdade, alegria, e curiosidade. Me faz me sentir abençoada á cada manhã que me levanto da cama, e me pede para tirar o pijama ainda mais cedo e correr para tornar conhecido o futuro. A gratidão me tornou alguém feliz, satisfeita, mas ao mesmo tempo doidinha e capaz, me fez ver potencial, me fez gostar da minha presença e entender que, quanto mais eu agradeço, mais existem coisas para agradecer. Quanto mais eu descubro motivos de gratidão, mais existem motivos de gratidão para eu descobrir.

Treine a sua mente, o seu coração, a sua alma, para ver o lado bom das coisas, para enxergar as riquezas que você já tem, e aquelas que ainda existem para possuir. Você pode ! Você consegue ! E você merece !

Gratidão ! <3

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Finalmente, me pertenço.

Quando somos crianças aprendemos que a princesa espera sempre pelo príncipe e entra em histórias complicadas por ele. A Barbie espera sempre pelo Ken. Aprendemos desde cedo que precisamos pertencer á alguém.
Na adolescência nos apaixonamos dez vezes por mês, e na mesma intensidade nos frustramos porque aprendemos que precisamos nos apegar e pertencer á alguém. Mas algo que não nos contam é que precisamos mesmo, de verdade, pertencer á nós mesmos. Eu só cheguei nesse ponto agora. Precisei de 20 anos para descobrir isso, e quando eu descobri foi a sensação mais incrível do mundo. Finalmente minha, me pertenço.

Pertencer, ser proprietário, ter o domínio. Vivemos em uma sociedade em que a maioria das pessoas acham que precisam do outro para ter felicidade, pertencimento e realização, mas é evidente o quão enganadas elas estão, é nítido, andam cada dia mais frustradas justamente por depositar no outro a função que só elas possuem. Quando eu descobri que eu me pertencia, a forma de conviver com as pessoas mudou, porque eu aprendi a conviver comigo, com a minha presença, com o meu conteúdo, com toda a bagagem que eu carrego aqui dentro. A ansiedade diminuiu, a confiança aumentou, a segurança e autoestima eu nem preciso falar, não é ? Eu tenho aprendido a ser absurdamente feliz quando estou sozinha, tenho aprendido a investir em mim, a me elogiar, a me notar, a me amar ainda mais intensamente. Tenho aprendido a me decifrar, a me sentir realizada simplesmente por quem eu tenho me tornado. Quanta felicidade eu sinto nos momentos que tenho só pra me curtir. Isso têm gerado frutos em todas as áreas da minha vida, porque eu entendi algo que muita gente morreu sem entender: se permitir ser, se pertencer, ser proprietário, ser protagonista da sua vida.
Nem sempre foi assim, na minha adolescência eu acreditava que sempre precisaria de alguém para ser feliz e que esse era o "objetivo da vida". Esse tipo de pensamento mostra que ainda não nos encontramos com a pessoa que a gente realmente precisa - o nosso "eu". 
Estar bem com quem você é, acreditar em você, ter confiança e segurança, ter um relacionamento verdadeiramente bom consigo é uma escolha diária, é uma decisão, e, na boa? Isso deveria ser ensinado na pré escola, a gente precisa estar bem com a nossa essência, a gente precisa saber se amar, ter autoresponsabilidade por quem somos, se não soubermos fazer isso, nenhuma outra coisa vai dar certo, traumas vão se acumular, não vamos saber superar os desafios e muito menos realizar qualquer coisa.

Passei por momentos de muita crise, na fase dos 16/17 onde a gente passa a precisar fazer escolhas adultas sem ser. As maiores respostas estavam dentro de mim, mas eu procurava em outros lugares. Me deparei com uma infinidade de caminhos distintos, rumos totalmente novos e diferentes, precisei fazer escolhas, e ainda preciso, todos os dias, graças a Deus. Mas para fazê-las precisei me conhecer, me ouvir, escutar o que a minha alma dizia. Precisei de autoconhecimento, senso de responsabilidade própria. Precisei me abraçar e dar atenção ao ao meu "eu", e o que eu descobri é que fica muito mais fácil qualquer outra coisa na vida quando você se conhece e reconhece, quando você descobre a sua identidade. Damos atenção para tantas coisas e pessoas, o que é ótimo, mas meio hipócrita se antes não dermos atenção á nós mesmos. Preciso citar aqui algumas coisas que ajudaram a ampliar os meus horizontes e me olhar de forma diferente: Deus, terapia. Se eu pudesse recomendar apenas duas coisas para mudar a vida de qualquer pessoa: Encontre o ponto central da sua fé, e faça terapia, análise ou algo assim. Invista em autoconhecimento, em desenvolvimento pessoal, você vai precisar disso todos os dias por toda a sua vida.

Se hoje eu acredito tanto nos meus sonhos ao ponto deles se tornarem verdade, se hoje eu deposito tanto amor em tudo o que eu faço e tanta fé em cada objetivo, se hoje eu acordo cedo felicíssima numa segunda de manhã, se hoje eu me realizo em cada coisa que eu escolhi fazer, se hoje eu me olho no espelho e sorrio pelo reflexo que vejo (com todos os detalhes e imperfeiçoes), se hoje eu amo passar tempo sozinha, me sinto segura comigo e confiante, se hoje eu ando pelos caminhos que escolhi e transbordo de gratidão por cada escolha que tenho feito, é porque eu descobri que me pertenço, é porque, primeiro, eu me realizei com quem eu sou, me encontrei e me percebi, eu assumi a posição de protagonista da minha vida, eu assinei um termo de responsabilidade comigo, eu entrei em um relacionamento sério com quem eu sou. Eu prossigo nessa jornada de desenvolvimento, de autoconhecimento todos os dias, mas me orgulho do caminho que já percorri. Isso tudo fez tanta diferença na minha forma de viver, tornou tudo tão leve, eu precisava compartilhar ...

Se descubra como a pessoa que você é, faça por você o que você sempre esperou que os outros fizessem. Se conheça, se arrume pra você, se cuide, se olhe, se aprecie, se ame, se elogie, aposte nos seus sonhos, acredite em você, invista em você, se pertença, se encontre, se preencha, e a sua forma de viver, de lidar com qualquer coisa ou pessoa será incrivelmente melhor, e você jamais vai voltar a aceitar migalhas ou coisas pela metade, porque você vai compreender a profundidade do seu valor, a sua essência, o tamanho de quem você é, e isso vai te impedir de aceitar coisa pouca. 
Não terceirize ao outro a função de notar e reconhecer algo em você que você precisa enxergar primeiro. Não terceirize ao outro a função de te fazer feliz, essa função é única e exclusivamente sua. Acho que isso resume esse texto todo: A função de te fazer feliz é sua. Se pertença, floresça ! <3